SÃO SEBASTIÃO DA BARRA:
HÁ MAIS DE UM SÉCULO DEFENDENDO A IGREJA!

    SÃO SEBASTIÃO foi um valente soldado. Sua fama de bom soldado era tamanha que tornou-se estimado pelos imperadores Diocleciano e Maximiano; tanto que confiaram o comando do primeiro exército pretoriano a ele. Era sem dúvida nenhuma um soldado exemplar! Sebastião vivia num tempo em que era proibido confessar que era seguidor de Jesus. Os soldados prendiam sem dó nem piedade os cristãos. Acontece que Sebastião era um cristão, e o imperador não sabia disso. E Sebastião ajudou tanto aos demais cristãos que foi conhecido depois como o DEFENSOR DA IGREJA. Então, Sebastião foi denunciado ao imperador Diocleciano que ficou indignado e irado, pois o homem em que pusera sua confiança era um cristão (e cristão de ação!); e o condenou à morte. Levaram-no para um campo aberto, e os arqueiros da Mauritânia o flecharam. Dando-o por morto, abandonaram-no preso a uma árvore. Acontece que, como Deus não abandona aos seus servos, Sebastião, por um milagre, resistiu às flechadas e sobreviveu. Não muito depois, foi encontrado por uma piedosa viúva, que cuidou de suas feridas. Após sua recuperação, o valente Sebastião se apresentou ao imperador Diocleciano, censurando-o por sua crueldade e exortando-o a deixar de adorar os falsos deuses, mediante suas imagens de escultura. O imperador ficou estarrecido ao ver em sua presença aquele que cria estar morto. Preso novamente foi açoitado até morrer. Assim como Sebastião, a Comunidade São Sebastião da Barra vem resistindo durante todo este tempo às “flechadas” tais como a vaidade, as drogas, a falta de fé, a intolerância que causam tanta dor à sociedade e são falsos deuses, amparada pela verdadeira fé, aquela que edifica e transforma. De acordo com o historiador Luiz Mauro Andrade Fonseca, em seu livro “O Arraial e o Distrito de João Gomes”, existia ao norte da sesmaria de João Gomes Martins a sesmaria de Agostinho de Pinho e Silva e é desta sesmaria que temos as derivações Pinho Velho, Pinho Novo e Rio Pinho. Por que citar tais nomes? Para falarmos que aí, ao norte de nossa cidade, foi erigida a Capela de São Sebastião, em terras da Fazenda Pinho Velho. O De acordo com relatos a Capela completará em 2015, 120 anos. No final de 1930, o Padre Adalberto Dobber faz uma pesquisa sobre a Paróquia de São Miguel e cita o patrimônio das Capelas filiais. Nesta citação ele diz que todo o patrimônio das capelas filiais está legalizado, escriturado e registrado, existindo todos os documentos de doação. Quanto à Capela de São Sebastião da Barra diz o seguinte: “apenas 600 réis sobre 240$ de uma fração de terra”. Isto se comprova através de uma certidão datada de 1930, a qual fala de uma doação feita no ano de 1928. Seu teor é o seguinte: “1 terreno com uma superfície de mais ou menos, 3 quartas, situado na Fazenda Pinho Velho, distrito desta cidade, medindo da estrada ao rio 190 ms; do rio ao vallo 300 ms, do vallo acima a estrada 84 ms, da estrada a baixo ao ponto de partida 114 ms, além da ilha ao fundo, contendo 11/2 litros, já incluídos nas 3 quartas, dividindo pela frente com a estrada, pelos fundos pelo rio; e, lateralmente com os vendedores. 2014 TRANSMITENTES: José Ribeiro Júnior e sua mulher D. Maria Cândida de Jesus, proprietários, domiciliados no distrito desta cidade. ADQUIRENTE: Patrimônio de São Sebastião da Barra, representado pelo seu vigário Raymundo Vital Alves Pereira.TÍTULO: Certidão de Escritura de Doação.(...) VALOR: Seiscentos mil réis(RS:600$000). Também de acordo com relatos de pessoas mais antigas, que vivenciaram grandes momentos de oração e espiritualidade, esta Comunidade durante muito tempo foi o único espaço de oração da região e lá se reuniam pessoas das comunidades próximas para rezarem e festejarem seu patrono. Ainda vive na memória de muitos que na Capela de São Sebastião, “pouco além do Sombrio”, no sábado havia o levantamento do mastro, no domingo a alvorada com uma salva de 21 tiros e a animação por conta das bandas de música. Em um programa da festa datado de 30/31 de julho de 1927 consta além destes, uma missa celebrada pelo Padre Adalberto Dobbert, um leilão de prendas, uma procissão, encerrando com uma queima de fogos. Inspirada em seu protetor a Comunidade que começou a promover a propagação do Evangelho ainda no século XIX, continua sendo a DEFENSORA DA IGREJA, em um outro século, onde cristãos por incrível que pareça ainda sofrem com a intolerância religiosa. O Papa Francisco diz que os preconceitos racial e religioso são “cruzes” que o mundo atual carrega e que acabam suscitando questionamentos entre os católicos acerca da fé na Igreja e em Jesus Cristo. Por isso a Comunidade São Sebastião da Barra através de suas pastorais tem promovido a evangelização e trilhado seu caminho com a ajuda de abnegados cristãos. Por longos anos muitas pessoas dedicaram seu tempo nesta comunidade e merecem o reconhecimento e as bênçãos de Deus com a intercessão de São Sebastião! Amém!

    Ana Maria Marques Dias - Diivisão de Arquivo Público e Patrimônio Cultural.


    História de vida de São Sebastião


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