MATRIZ DE SÃO MIGUEL E ALMAS:
UMA HISTÓRIA ALICERÇADA NA FÉ QUE TRANSFORMA

    Falar da história da Paróquia de São Miguel e Almas implica falar da formação de nosso município. A primeira referência que temos de nosso município data de 1709, ano que Domingos Gonçalves Ramos requereu da Coroa Real, uma sesmaria. Posteriormente esta sesmaria foi dividida com seus genros Pedro Alves de Oliveira e João Gonçalves Chaves. João Gonçalves Chaves vendeu sua sesmaria para João Gomes Martins em 1728, de onde temos o nome “Arraial de João Gomes”. E foi através da fé e da devoção de João Gomes Martins e sua esposa Clara Maria de Melo que nasce a história da Paróquia de São Miguel e Almas. As terras de João Gomes Martins ficavam do lado norte da cidade e foi aí, no atual Bairro Santo Antônio, conhecido por “João Gomes Velho” que foi construída a primeira Capela em honra a São Miguel, cuja imagem veio de Portugal. Em seu testamento João Gomes Martins pede para ser sepultado nesta capela. João Gomes fica casado com Clara até sua morte em 1745. Em 1778 sua nora, Clara Maria de Jesus, conseguiu autorização eclesiástica para transferir a Capela para suas terras (Fazenda do Pinho), causando grande tristeza em Clara Maria de Melo. Aproximadamente 40 anos após a imagem retorna ao seu local de origem. Em meados do século XIX a capela que se encontrava em péssimo estado foi transferida para o Arraial Novo de São Miguel e Almas. A nova capela, com duas torres, foi inaugurada em 1850 e em 1867, o Bispo de Mariana, Dom Antônio ferreira Viçoso, criou a Paróquia de São Miguel e Almas de João Gomes. Um novo século desponta e com ele novas perspectivas, novas visões, um novo momento! Então por volta de 1908 a Matriz foi demolida dando lugar a um novo templo sustentado por “colunas” que representavam a fé de um povo. Esta nova Matriz foi inaugurada em 1917 e permaneceu com esta arquitetura até o final da década de 1960. São outros tempos que oportunizam grandes transformações e aí temos a Matriz de São Miguel acompanhando o Concílio Vaticano II (o que entendemos ser “uma reforma litúrgica exprimindo-se numa nova organização do espaço litúrgico”) sendo reformada e permanecendo com esta arquitetura até sua recente reforma. O município cresceu, mas assim como seus fundadores não perdeu a fé em um Deus que edifica não templos, mas edifica aquele que deve ser o verdadeiro templo: o nosso coração!

    Ana Maria Marques - Dias Divisão de Arquivo Público e Patrimônio Cultural.

    Referências bibliográficas • FONSECA, Luiz Mauro Andrade da. O Arraial e o Distrito de João Gomes (História Antiga de Santos Dumont. Minas Gerais).- Barbacena: Centro Gráfico e Editora,2013. • BRANCO, Oswaldo Henrique Castello.Uma cidade à beira do Caminho Novo. Vozes Ltda,1988.

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